terça-feira, 26 de setembro de 2006

USANÇAS DE VERDELHOS - A Dança das Trancas





Salles Viana, após descrever a localização e as belezas naturais de Verdelhos, o modo de vida das suas gentes, a forma comos os pastores e as pastoras se vestiam, diz-nos a certa altura:
(...)


"Entre as costumeiras locais, uma há que merece especial menção por sua beleza e arcaica origem.

Trata-se da Dança das Trancas, velha usança, onde só figuram homens, de calções e casacos amarelos e cintados de azul, com floridas capelas na cabeça e tranca de metro e meio nas mãos e um músico com seu tambor a marcar a cadência da coreografia.

Trata-se certamente de dança guerreira anterior à vinda dos romanos para a Penínsulla Ibérica, talvez do tempo de Viriato que tão bem conheceu os Montes Hermínios. Entre as suas várias marcações notam-se: os sarapatéis, as mudanças de mão, o arremesso das trancas às costas dos companheiros, a escavação da terra, as passagens pela frente ou pelas costas dos dançarinos, etc., etc.."

(...)

In:"O TRAJO POPULAR NA BEIRA BAIXA", Salles Viana, Edição da Junta Distrital de Castelo Branco, 1967

Ainda sobre a dança das trancas, ela é também referida em no sítio abaixo indicado

http://www.chuchurumel.com/encontros.htm

SÃO DA BOUÇA ...(2)

Aqui fica o retrato, tirado por Duarte Costa-Castelo Branco, do Pastor e da Pastora da Bouça

in: O TRAJO POPULAR NA BEIRA BAIXA, Salles Viana, Edição da Junta Distrital de Castelo Branco, 1967

domingo, 24 de setembro de 2006

RETRATOS DA COVILHÃ - II

"OS ANJINHOS

Zezinho Malvisto era uma das pessoas mais simpáticas da cidade.

Um dia, uma procissão subia a rua Rui Faleiro. A esplanada do Café Montalto estava repleta de pessoas afogueadas pelo calor. Zezinho Malvisto levantou-se e comentou em voz alta:

- Vão ali tantos anjinhos...

Malvisto, era alcunha que lhe puseram devido ao facto de ser estrábico. Era alto, coxo e gracejador. Morava no Refúgio e todos os dias subia à cidade para tratar da vida. Era cobrador e correspondente de jornais. Metia-se com toda a gente, sem ofender ninguém."

in: "A VERDADE E O SONHO", Mendes, José Corceiro, Edição de Autor, 2003

sábado, 23 de setembro de 2006

RETRATOS DA COVILHÃ - I

"ZEZINHO ARARA

Zezinho Arara era filho do industrial Sr. Mário Antunes. Apesar de ser filho de uma família respeitada, Zezinha Arara não se corrigia. O inesperado nasceu com ele e morreria com ele.

Todo o mundo o interpelava para rir à custa das suas respostas sempre expontâneas.

Quando a irmã casou, ele ofereceu-lhe uma nota de cinquenta escudos. Se não fosse a inflacção, o seu valor actual rondaria os vinte e cinco euros. Durante a noite, Zezinho arrependeu-se a ponto de não ter sido capaz de dormir. Quando acordou, a primeira coisa que fez foi pedir à irmã que lhe devolvesse o dinheiro. A notícia correu a cidade. João dos Santos Luís interpelou-o:

- Ó Zezinho, então você não se envergonha de fazer essa desfeita à sua irmã? Ande lá, homem, entregue o dinheiro à sua irmã!

A resposta não demorou:

- Ó senhor Santos Luís, osenhor está a emaluquecer! E depois como é que eu durmo?"

in "AVERDADE E O SONHO", Mendes, José Corceiro, Edição de Autor, 2003

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

A Greve- Nov. 1968

" Às resistentes da "Penteadora" de Unhais da Serra aqui deixo a minha singela homenagem em forma de poema:

Havia mil fantasmas, mil segredos
Grilhões, na limpidez do teu pensar.
Havia fardas, armas e degredos
Vampiros pela noite a esvoaçar.

Havia prepotência com seus credos
Silêncios, dia e noite a policiar.
Havia gritos, fugas, sangue e medos
E armas aperradas p'ra matar.

Só tu, irmã do medo ias à luta
Serena resistindo à força bruta
Como quem sonha a nova Primavera

A força de trabalho, que é teu povo,
Sonhou na madrugada um Mundo novo,
Um homem novo e uma nova era."

in, "A VERDADE E O SONHO", Mendes, José Corceiro, Edição de Autor"

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

terça-feira, 12 de setembro de 2006

FILARMÓNICA SANJORGENSE

A Sociedade Filarmónica Saojorgense foi fundada em 1942.

Não se sabe em que ano foi tirada a fotografia.

Nela figuram os elementos da Banda, o Maestro e a Direcção da Banda.

De salientar que nela figuram duas mulheres que integravam a direcção. Para a época não era muito costume estas participações femininas.



O ASNO E O CAVALO LOUÇÃO

Em este exemplo o poeta diz, dando a nós exemplo, e conta que um asno andava per um caminho estreito, carregado, e encontrou com um cavalo mui fremoso, o qual andava loução, porque trazia mui fremoso freio, sela, retrancas e peitoral.
O asno disse ao cavalo:
- Senhor, Deus te mantenha!
O cavalo, com grande soberba, começou a dizer muita vilania ao asno, dizendo:
- Ó astroso vilão, como hás tu tanto ardir de falar e de te parares no caminho per onde hei-de andar? Tu cada dia carretas vinho e lenha e outras cousas lixosas em cima dos teus lombos e trazes albarda; e eu trago o meu senhor honradamente em cima de mim e trago sela dourada, freio, retrancas mui preçadas. Eu te digo que, se nom fosse que eu nom quero em ti luxar os meus couces, que eu te faria que nunca houvesse ardimento de falar a tão nobre cavalo como eu sou! Vai, e nom te veja eu mais passar per onde eu estever!
O asno nom ousava de falar e partiu-se com vergonça.
Dali a pouco tempo, o cavalo emagreceu e o seu senhor o meteu à carreta; e, pelo grande afam que o cavalo suportava, veio a ser mui magro. E, um dia, aquele asno o encontrou no caminho e conheceu-o mui bem e disse-lhe:
- Ó cavalo, rogo-te que me digas onde é a tua sela e o teu fremoso guarnimento. Tu soías ser mui gordo! Ora te vejo mui magro!
E per estas palavras escarnecia o asno do cavalo. O cavalo, pela grã vergonça que havia, nom falava e partiu-se com vergonça.
Per este exemplo, este poeta nos amostra que nós nom hajamos fé nem esperanças nas vãs glórias deste mundo, porque nom som estáveis; e o homem que está em prosperidade em este mundo nom deve escarnecer do minguado, porque, quando se nom precatar, ele pode vir em miséria, e o minguado em prosperidade, segundo vemos em cada dia.

(Fábula XXIX)
(Manuscrito descoberto, em 1900, na BibliotecaPalatina de Viena de Áustria, por José Leite de Vasconcelos, que o publicou na Revista Lusitana, vols. VIII e IX, 1903-1905 e 1906. Título original: Fabulae Aesopi in lingua lusitana.)
Notas:
P. 137
-exemplo: narração de um caso particular que serve de lição. ( No texto, lê-se emxemplo)
-loução: garboso -c
omeçouc: no texto, compeçou. -vilania: insultos. -astroso: infeliz, funesto. -ardir: ardimento, atrevimento. -preçadas: prezadas. -luxar: sujar, manchar. -vergonça: vergonha. -carreta: carroça. -afam: cansaço. -guarnimento: enfeite, arreio. -minguado: pobre, desditoso. -precatar: acautelar, prevenir.

Extraída do livro: Poesia e Prosa medievais, selecção, introdução e notas por Maria Ema Tarracha Ferreira

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

domingo, 3 de setembro de 2006

POETISAS DA MINHA TERRA

(...)

"Guardava um rebanho
De grande tamanho
Para a sua idade
Não teve brinquedos
Não tinha segredos
Simples sem vaidade"
(...)

http://www.albertina.cebola.net/home.html



"Discutem duas belezas
querem as duas ganhar.
As duas são portuguesas
mas não sabem conversar."
(...)


http://pages.videotron.com/adelaid/index2.htm

B O A L E I T U R A!