domingo, 30 de setembro de 2007

A tentação “UNICOLOR”

De repente, na nossa S. Jorge (pela lente do Francisco) tudo aparece ou virou “unicolor”, como se de uma mensagem se tratasse.

Para enquadrar esta interpretação, vou socorrer-me, entre outros, de Wittgenstein (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ludwig_Wittgenstein), que nas Philosophical Investigations, tem, numa das diversas injunções, uma afirmação que reza assim: “…não devemos pensar de forma isolada quando se trata «dos significados das palavras» ”. Se por palavras entendermos, também, «actos/acções» a que atribuímos significado, mais genericamente no interior de certas comunidades, devemos concentrar-nos nesses jogos de linguagem, tentando investigar o uso de determinados «actos/acções» como sendo o oposto do seu significado.

Tal como afirma Aristóteles (http://pt.wikipedia.org/wiki/Arist%C3%B3teles) no seu Livro III , cap. 3, §15, da Política “Esta questão parece relacionada com a seguinte dificuldade: a que princípio, afinal, devemos recorrer para afirmar que a cidade mantém, ou não, a identidade anterior ou adquire uma outra identidade?” Aristóteles segue duas vias, uma em que população e território se mantêm, outra no caso, de território e população serem separados. Na antiguidade isto era usual, o êxodo de populações era constante, (temos o exemplo vivo do actual Médio Oriente), afirmando que “não são as muralhas que fazem uma cidade una, senão teríamos que circundar todo o Peloponeso”.

“O político deve esquecer as dimensões da cidade”, deve preocupar-se com as questões da identidade que extravasa as muralhas. Nos tempos que correm, extravasa as fronteiras.

A questão é velha e lembro-me sempre de uma passagem da Cidade de Deus Vol. I, no Cap. XII de Santo Agostinho (http://pt.wikipedia.org/wiki/Agostinho_de_Hipona), em que com bastante humor, considero eu, descreve como os “Romanos, (…) não permitiam que a sua vida e reputação estivessem sujeitas às injúrias dos poetas (…). Concedendo-a em relação aos seus deuses. Isto que decidiram é realmente bastante honroso em relação a si próprios, mas, em relação aos seus deuses, é orgulhoso e ímpio. “

Espero que ninguém se lembre de proibir o nosso “Xico Retratista” de continuar a ser os nossos olhos, através da sua lente “pura”. As suas fotos são poemas vivos e mostram todas as cores.

Também Maquiavel (http://pt.wikipedia.org/wiki/Nicolau_Maquiavel) no seu “ O Príncipe”, nos descreve como todas as coisas “(…) que nascem ou crescem repentinamente, não têm tempo de criar raízes e fibras com força suficiente para resistirem à primeira tempestade” sobretudo “(…) (se os que lhe estão na origem) não possuem um talento tão grande que lhes permita prepararem-se para conservar o que a sorte lhes pôs nas mãos…”

Termino com um dos meus autores preferidos Jean Jaques Rosseau (http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean-Jacques_Rousseau) , que no Discurso Sobre a Origem e Fundamentos da Desigualdade entre os Homens a certa altura nos desconcerta na nossa moral ortodoxa, dominical e piegas “… em vez da máxima sublime de justiça raciocinada: Faz aos outros como queres que te façam a ti, que inspira a todos os homens (propõe) esta outra máxima de bondade natural bem menos perfeita, mas mais útil talvez que a anterior: Procura o teu bem com o menor mal que seja possível para os outros."

Nesta máxima natural enquadramo-nos, todos nós (na "preservação da" nossa identidade) e a natureza (com o que fazemos dela).

Com amizade,
Vitor

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Fontes de S. Jorge

(Artigo reproduzido na Página de Cebola e neste BLog)

Discutir gostos é sempre uma tarefa inglória, incipiente, irrelevante…. Verificar factos, talvez nos ajude a esclarecer, a analisar desapaixonadamente, a aprender e a corrigir.
Vamos a factos:

1. Qual era o estado das fontes de S. Jorge?

2. Até existir esta intervenção algum dos intervenientes na discussão, que agora se gerou, manifestou, ou deu a sua opinião/ideia publicamente?
(Do meu ponto de vista, e as fotos do nosso “Xico Retratista” atestam-no à saciedade, as fontes, em geral, estavam degradadas, indignas da sua função e com uma apresentação e condições sanitárias muito degradantes.)

3. Em Agosto (?), por iniciativa administrativa (da JFSJB), deu-se início a um trabalho de recuperação dos pontos de água (fontes), que tão importantes e estratégicos foram para todo o povo durante dezenas de anos.

4. A essa intervenção, antecedeu, necessariamente, uma decisão, uma discussão (as Assembleias de Freguesia servem para isso e as reuniões dos executivos de Junta, também servem para isso…)
Creio que S. Jorge (para bem de todos) tem uma oposição que tem acento nos órgãos democraticamente eleitos. O trabalho da oposição não é só estar contra, é alertar o povo (antecipadamente) para as coisas que vão acontecer e com as quais não está de acordo. Depois, deve formular qual é a sua proposta ou solução para resolver aquele problema.

5. Algum dos meios a que, publicamente, temos acesso foi veículo de notícia ou discussão participada sobre este assunto?
Dou-vos um exemplo do que quero dizer com isto. Em Agosto passei muito rapidamente por S. Jorge, constatei, à Ponte do Ribeiro (que ficou francamente favorecida com aquele gradeamento!), que foi salvaguardado o acesso (excelente) ao moinho ali existente, o que indicia que alguma discussão e algumas ideias têm eco.
Se alguma vez se intervier naquele, ou outro, moinho, temos legitimidade para criticar frontalmente quem o fez se, em vez de o recuperar, o rebocar e pintar de cinzento com riscas brancas, porque estamos (antecipadamente) a partilhar publicamente ideias.
Outro exemplo, a “Nossa Fontita”, se algum dia for objecto de uma intervenção daquelas, bem me podem “ter à perna”. Existem documentos escritos, com ideias concretas para o local. Têm que ser discutidas e esse é o papel dos cidadãos (do povo) e da oposição.
(Que fique claro que eu sou do povo.)

6. Então, as Fontes foram pintadas e muito bem, porque foi assim que se decidiu.
No dia que passei por S. Jorge, curiosamente, tive oportunidade de assistir à pincelada final da Fonte do Rodeio, foi dada por uma filha do Ti Cardina [lembram-se dele, era o fiel depositário das pautas musicais da Banda Filarmónica da nossa terra e ainda mudava as lâmpadas fundidas da iluminação pública]. Pois a Senhora tinha um brilho de orgulho nos olhos, finalizara o serviço de que a incumbiram e eu (com o coração despedaçado) dei-lhe os parabéns pelo trabalho que terminara. Deu o seu melhor! Não resisti ao elogio “muito bem pintada! Parabéns!”
… e está!

7. A questão é outra! Será que pintar terá sido a melhor solução? Quem discutiu outras alternativas? À Junta cabe decidir e fazer! A nós cabe-nos estar atentos, à oposição cabe alertar e sugerir alternativas.

Uma ideia: é possível ter acesso online à agenda dos temas que vão a reunião de Assembleia e de Executivo da JF. São, ambos, actos públicos, um presencial e outro por consulta das respectivas actas.
Se isso acontecesse, teríamos na agenda:
….Recuperação dos fontanários públicos.
E na acta: Serão rebocados e pintados de cinzento, debruados a branco e preto todas as Fontes…
(Aí, o povo diria: Alto! Como a estação dos Caminhos de Ferro do Fundão, NÃO!)

Já está!
Vamos para a frente! Mais uma lição!
Quem decidiu, FEZ! (Só erra quem faz...)